A extinção da FZB é a solução? 

Nos próximos dias, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul enviará à Assembleia Legislativa projeto de lei que, se aprovado, irá decretar a extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul – FZB e a provável demissão de todos os seus funcionários. Sabemos que o Estado passa por grave crise financeira. Ajustes serão necessários, mas não corremos o risco de causar danos irrecuperáveis à ciência e à proteção dos ambientes naturais com a extinção da FZB? Será esta a solução para a crise financeira?

Desde 1972, a FZB vem prestando relevantes serviços à sociedade por meio de seus três órgãos: o Museu de Ciências Naturais, o Jardim Botânico e o Parque Zoológico. Os projetos e iniciativas da FZB, frequentemente realizadas em cooperação com organizações do Brasil e do exterior, buscam aliar a conservação da natureza com o desenvolvimento social, para que atividades econômicas possam ser realizadas com menor impacto ambiental. Alguns exemplos são zoneamentos e diagnósticos ambientais, protocolos e manuais de boas práticas de produção agropecuária, projetos de uso sustentável de recursos da biodiversidade e planos de manejo de áreas protegidas. A FZB também coordena a elaboração das listas da fauna e da flora em extinção no Rio Grande do Sul e propõe medidas para a sua conservação.

Além disso, a FZB mantém espaços públicos de lazer e cultura acessíveis à população; promove ações de educação ambiental voltadas a escolas públicas e à comunidade em geral; executa atividades museológicas e organiza exposições fixas e itinerantes; atua na formação de recursos humanos, orientando estudantes em projetos de pesquisa; oferece aperfeiçoamento a professores de ensino fundamental e médio; proporciona treinamento em identificação e manuseio de fauna; mantém coleções científicas de referência sobre a biodiversidade do Estado e publica periódicos científicos de impacto internacional e diversas obras de divulgação, além de dar apoio a entidades como a nossa, o Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre.

Entre as pesquisas desenvolvidas pela FZB estão a descrição de novas espécies de plantas e animais, a realização de inventários biológicos, o manejo de animais peçonhentos visando à produção de soro antiofídico, o biomonitoramento da qualidade do ar, a recuperação de ambientes degradados, o impacto de estradas sobre a fauna, a proliferação de algas tóxicas, o efeito de espécies parasitas eexóticas invasoras, a fauna fóssil e muitos outros.

As atividades realizadas e os serviços prestados pela FZB garantem que oEstado tenha autonomia técnica e científica para formular políticas públicas de meioambiente e desenvolvimento sustentável, assegurando que a gestão do patrimônionatural fique sob o controle da sociedade por meio de órgãos públicos idôneos eisentos.

O seu apoio é fundamental para continuarmos conhecendo, conservando e divulgando o nosso patrimônio natural. Se a FZB não existir mais, quem, e com que competência, prestará os relevantes serviços em prol da conservação da natureza que ela prestou nos últimos 43 anos? Se você pensa como nós e acha que a extinçãoda FZB é um retrocesso nas políticas ambientais no RS, envie um texto de repúdio à extinção da FZB aos políticos que você conhece, aos seus amigos e às pessoas que querem bem os ambientes naturais desse Estado.

Walter Hasenack

Presidente - COA-POA

Porto Alegre, 7 de agosto de 2015

Cinco Anos do COA-POA
um marco para reflexão 

Justamente hoje, na véspera da data em que comemoramos 5 anos de reativação do COA em Porto Alegre, caiu em minhas mão uma edição especial de uma revista local da cidade de São Leopoldo, chamada Rua Grande. A edição é de 1978 e a foto da capa deixa claro que os tempos eram outros.

 

Pois naquela época o COA já existia e na página 26 dessa revista, temos o que provavelmente é um dos primeiros registros do COA na imprensa brasileira.

 

 

O clube havia sido fundado 4 anos antes, o que significa que em 2014 estamos comemorando 40 anos de fundação do COA no Brasil.

Amanhã, dia 16 de maio de 2014, o COA-POA comemora 5 anos de reativação. A foto a seguir mostra as pessoas que participaram daquele momento histórico, no Jardim Botânico, em Porto Alegre, em maio de 2009.

 

O que recordo daquela reunião é que muitas ideias surgiram, muitas propostas foram apresentadas, mas, como frequentemente ocorre nestes momentos, a reunião encerrou sem muitas conclusões concretas. Mesmo assim as atividades começaram e em 26 de setembro foi realizada a primeira saída a campo. 

O COA teve, ao longo de seus 40 anos de existência, momentos de grande atividade e outros em que se manteve em estado de hibernação. A verdade é que em todos esses anos, nunca se tornou uma entidade com uma representação importante na sociedade brasileira. Então talvez seja este o momento de nos perguntarmos por quê? 

Na minha opinião uma associação, como é o COA, somente progredirá se ela puder ser útil, não só para os associados, mas para a sociedade. Participar do COA não deixa de ser uma espécie de voluntariado e a longo prazo as pessoas só doam parte do seu tempo a causas que elas reconhecem como sendo causas úteis. O COA até aqui soube suprir parcialmente os anseios pessoais dos associados, mas ainda não cumpriu a sua mais nobre missão, que é de ser útil à sociedade. Temos o exemplo de outros países nos quais, entidades parecidas com o COA, desempenham importante papel na defesa da avifauna e dos ambientes naturais. 

O primeiro passo é ter uma entidade minimamente organizada para depois começarmos a buscar objetivos maiores. É nesta fase que se encontra o COA-POA, entidade reativada há 5 anos e cujo estatuto existe há menos de dois meses. 

Datas comemorativas como o dia 16 de maio servem para que nos alegremos com aquilo que foi realizado até aqui. Servem também como marcos no tempo, nos quais devemos parar e avaliar o caminho percorrido, acertando o rumo quando necessário. 

Parabéns ao COA, que há 40 anos surgiu aqui no RS e parabéns ao COA-POA pelos 5 anos de atividades ininterruptas. Que o futuro nos reserve muitas alegrias e que possamos de fato ser um agente de preservação ambiental, para o bem da humanidade. 

 

Walter Hasenack - Presidente do COA-POA 

Porto Alegre, 15 de maio de 2014